Para Célia.
Talvez um dia eu conte porque...
Tenho OI.
Meus ossos são de cristal
e minha alma se reflete neles...
Sentindo,
expondo-se,
partindo-se,
reconstruindo-se...
Tenho OI.
Minha esclerótica é azul
e minha alma se reflete nela...
Meus sonhos são azuis
e azul é o céu onde minha alma
plana, ascende, encontra-se.
Infinita...
Tenho OI.
Tenho marcas, cicatrizes
nos ossos, na alma...
Tenho sinais
na pele, no rosto, nos olhos.
Como todas as pessoas,
mas de um jeito muito singular.
Tenho OI.
Na minha fragilidade
aprendi a respeitar todos os homens,
mulheres e crianças.
Tenho OI.
Faço dos meus sintomas
um caminho de cura,
de compreensão,
de poder contar comigo...
Tenho OI.
Minha fragilidade me lembra
do que
é firme, sólido e real: a FÉ.
Minha história me denuncia
o que
movimenta, adaptável:
a ESPERANÇA...
Minha compreensão de mim mesma e do outro
me permite o que é eterno,
insolúvel e inquebrável:
o AMOR.
Autora:
Adriana Dias