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Onde está
aquela gargalhada gostosa que tanto nos contagiava? Onde estão os gestos
corretos, as mãos tão jeitosas, com as quais sempre nos arrumava, concertava,
embelezava? Aquela forma humilde, desprendida, que mesmo com o tempo tomado,
sempre arranjava algum para ajudar alguém? Escutava os nossos desabafos...
Estava presente nas tristezas e nas alegrias. Era cadeira cativa!!! Presença
constante... Escutava, embalava, sorria, ajudava... Ela nunca reclamava. Tão
simples e tão bela! Tão amada e tão cheia de amor para dar... Ajudava na
nossa infância, escutava, opinava... Não brigava!!! Era segurança real, com
quem sempre contávamos... Alegrava, unia os corações, trazia tranqüilidade...
Dentro dos preconceitos de sua geração soube mostrar que se podia amar durante
uma vida e aproveitar o máximo desta vida, mesmo renunciando aos prazeres, que
para nós eram tão importantes. Por que aconteceu, por que deixaram acontecer?
E ela nem pode desabafar, como nós desabafávamos para ela. As gargalhadas,
sumiram tão rápidas... Foram substituídas por um silêncio sem fim... O olhar
decidido a resolver tudo que encontrava errado, foi substituído por um outro
olhar triste e vago... Não pode contar a ninguém o porque deste olhar... A sua
fé em um Ser Supremo - a sua enorme fé, pregada quando éramos crianças;
discutida com seus fortes argumentos quando ficamos adultas; persistindo, mesmo
quando o que parecia tão pouco, mas era muito lhe foi tirado - faz com que
sintamos uma enorme vontade de rogar a esse Ser Supremo, que nos devolva um
pouquinho do que ela era antes. Não seria pedir demais: que apesar do olhar
vago e triste, minha querida " DEININHA", a segunda mãe sempre
presente, não sentisse este sofrimento que não se vê nem em lágrimas...
Resta um desejo intenso de proteger quem sempre viveu para proteger outras
vidas... |

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CÉLIA DE CRISTAL - Deficiente Física. Será que eu sou?
Repaginado
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