HOMENAGEM A DEINE, MINHA TIA

Onde está aquela gargalhada gostosa que tanto nos contagiava? Onde estão os gestos corretos, as mãos tão jeitosas, com as quais sempre nos arrumava, concertava, embelezava? Aquela forma humilde, desprendida, que mesmo com o tempo tomado, sempre arranjava algum para ajudar alguém? Escutava os nossos desabafos... Estava presente nas tristezas e nas alegrias. Era cadeira cativa!!! Presença constante... Escutava, embalava, sorria, ajudava... Ela nunca reclamava. Tão simples e tão bela! Tão amada e tão cheia de amor para dar... Ajudava na nossa infância, escutava, opinava... Não brigava!!! Era segurança real, com quem sempre contávamos... Alegrava, unia os corações, trazia tranqüilidade...


Odele Camara Vieira, a DEINE

Dentro dos preconceitos de sua geração soube mostrar que se podia amar durante uma vida e aproveitar o máximo desta vida, mesmo renunciando aos prazeres, que para nós eram tão importantes. Por que aconteceu, por que deixaram acontecer? E ela nem pode desabafar, como nós desabafávamos para ela. As gargalhadas, sumiram tão rápidas... Foram substituídas por um silêncio sem fim... O olhar decidido a resolver tudo que encontrava errado, foi substituído por um outro olhar triste e vago... Não pode contar a ninguém o porque deste olhar... A sua fé em um Ser Supremo - a sua enorme fé, pregada quando éramos crianças; discutida com seus fortes argumentos quando ficamos adultas; persistindo, mesmo quando o que parecia tão pouco, mas era muito lhe foi tirado - faz com que sintamos uma enorme vontade de rogar a esse Ser Supremo, que nos devolva um pouquinho do que ela era antes. Não seria pedir demais: que apesar do olhar vago e triste, minha querida " DEININHA", a segunda mãe sempre presente, não sentisse este sofrimento que não se vê nem em lágrimas... Resta um desejo intenso de proteger quem sempre viveu para proteger outras vidas...

Célia Regina Vieira Bastos
maio /1995

 

 

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CÉLIA DE CRISTAL - Deficiente Física. Será que eu sou?
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