CARTA À MINHA MÃE, UMA GRANDE MULHER AOS 82 ANOS.

Abigail Vieira Bastos e as cinco filhas: Ana, Silvia,Vera, Lina e Célia (no colo da mãe).

Fortaleza, 04 de janeiro de 1999

Querida Mamãe

Quando era muito pequenina, recordo-me que você possuía uma varinha mágica com mil soluções, para curar ou minimizar as minhas dores. Bastava uma dor de garganta forte ou febre e você aparecia, de prontidão, com sua varinha mágica, contendo na ponta um pedaço de algodão molhado em alguma solução milagrosa... Apesar de apavorada de medo, eu me sentia segura pois sabia que ia me curar. Você foi, mamãe, a melhor otorrinolaringologista que cuidou de mim.
Quando eu sentia uma dor forte nas pernas, muitas vezes por fraturas, você vinha, de imediato, com talas, gazes, mãos firmes e cuidadosas; sem Raios X diagnosticava e amenizava as minhas fortes dores, antes de me levar a alguém vestido de branco, de quem tanto medo eu sentia. Nunca me deixava sozinha... Nas dores mais leves, usava uma pasta mal cheirosa, um pouquinho quente, colocava nas minhas pernas e as amarrava com paninhos brancos. Sempre foi a melhor traumatologista que conheci.
Nas recuperações das fraturas e distensões, você usava técnicas acertadas... Levava-me às piscinas, estimulava-me a pedalar carrinhos, massageava as minhas pernas... Você também era uma excelente fisioterapeuta.
Quando menstruei pela primeira vez, estava meio apavorada - depois que você descobriu, tudo me pareceu tão normal... Você também era especializada em ginecologia.
Sem nunca ler Freud e Jung,  você não me deixava abater pelas tristezas. Fez-me sentir como qualquer menina de minha idade, e não me permitia faltar às minhas responsabilidades, por motivos que poderiam ser melancólicos. Você também soube ser a grande psicóloga e incentivadora de minha vida.
Na minha vida profissional, eu era a bioquímica de diploma, mas você rapidamente aprendeu a entender como eram importantes para mim miligramas de minhas substâncias acetiladas ou os mililitros de óleos voláteis de minha planta de Tese de Mestrado.
Na defesa de minha tese era a mais atenta, uma mistura de rezas e de estímulo, com sua presença.
Você estimulou, ajudou, vibrou com minha mudança para meu cantinho e entendeu que eu não ia me afastar de você... Como também sempre incentivou o meu maior Grito de Independência: dirigir um carro de verdade...
Hoje, você completa 82 anos de idade... A mulher mais sábia que eu já conheci!!! Mulher de garra que nunca se deixou abater pelos seus inúmeros problemas.
Não devo só lhe parabenizar mas cumprimentar a mim também, sua filha, pela dádiva de ter sido acompanhada por alguém tão especial como você...
Beijos mil da filha que muito lhe ama...

Célia Regina

 

 

 

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CÉLIA DE CRISTAL - Deficiente Física. Será que eu sou?
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