I ENCONTRO NACIONAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA
DE OSTEOGENESE IMPERFECTA - ABOI
04 e 05 de Dezembro de 2009

 

 

I Encontro Nacional da Associação Brasileira de Osteogenese Imperfecta

No período de 4 a 5 de dezembro de 2009 tive a oportunidade de participar no Rio de Janeiro da Comemoração dos 10 anos da ABOI - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OSTEOGÊNESE IMPERFECTA e do I Encontro dos CROI - CENTRO DE REFERÊNCIA EM OSTEOGENESE IMPERFECTA. Aconteceram muitas trocas de experiências, juntamente com outros portadores, pais de portadores de outros estados. Ajudei a fundar a ABOI! Atualmente sou a Representante do Norte/Nordeste, voluntária de nosso CROI - NORDESTE - HOSPITAL INFANTIL ALBERT SABIN - CEARÁ. Vice presidente da ABOI, participei das avaliações dos médicos representantes dos diversos CROIs do Brasil. Palestras  de ortopedistas, geneticistas, fisioterapeutas... Depoimentos de representantes pais, portadores de diferentes estados. Também dei meu depoimento sobre os meus 56 anos de Osteogenesis Imperfecta e "minha missão", o voluntariado com nossas crianças de Cristal. Peço a Deus que a sementinha que plantamos e regamos continue a crescer e melhorar cada vez mais a qualidade de VIDA dos que estão começando a difícil mas não impossível Jornada! São muitos os nomes que deveria citar da fundação até o dia de hoje de nossa ABOI, mas é impossível citar todos... No entanto, eu não poderia deixar de citar nossa atual presidente Fátima Santos e José Carlos Santos, presidente de nosso Conselho Deliberativo-RJ, pais de dois jovens portadores, atualmente profissionais bem sucedidos; Rita Amaral, portadora, antropóloga paulista que faz o site de OSTEOGENESIS IMPERFECTA e da ABOI; o saudoso Rui Bianchi sempre batalhador pelos nossos direitos. Foi muito gratificante nosso encontro e desta comemoração montei um slide show com algumas fotos. Feliz 2010 para todos e especialmente para a "NOSSA FAMÍLIA DE CRISTAL"

Célia Regina

 

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

Data: 04 de dezembro de 2009 (Sexta-feira)

Local: Instituto Fernandes Figueira – FIOCRUZ
Centro de Estudos Olinto de Oliveira
End. Avenida Rui Barbosa, 716. Flamengo, Rio de Janeiro/RJ – CEP: 22250-020
Início às  13:00 horas
Público alvo: Médicos responsáveis pelos CROI e representantes da ABOI

13:30 h – Apresentações dos CROI.

CROI-RJ: Dr. Juan Clinton Llerena Jr.
CROI-RS: Drª Têmis Maria Félix
CROI-BA: Drª Renata Maria Rabello da Silva Lago
CROI-SP: Dr. Hamilton Cabral Menezes Filho
CROI-SC: Dr. Genoir Simoni
CROI-PR: Drª  Julienne Ângela Ramires de Carvalho
CROI-CE: Drª  Jacinta Maria da Silva Prado
CROI-ES: Dr. Akel Nicolau  Akel Jr.
CROI-SP: Dr. Edson Luiz Ariolli

16:00 h- Coffee-Break

16:30h – Banco Nacional de dados sobre Osteogenesis Imperfecta – IFF/FIOCRUZ
Rodrigo Lima – ICICT/FIOCRUZ

17:00 h – Portaria MS nº 2.305, de 19 de dezembro de 2001 – Avaliação.

18:00h - Encerramento

 

Data: 05 de dezembro de 2009 (sábado)

Local: Salão de Eventos da Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro
Av. República do Chile, nº 245
Centro - Rio de Janeiro/RJ - CEP 20.031/170
Público alvo: Pessoas com OI, Familiares e profissionais.


08:30– Credenciamento e Entrega de Material.
09:00 – Abertura
Maria de Fátima Benincaza dos Santos – ABOI
Dr. Juan Clinton Llerena Jr. – CROI/RJ

09:30– Revisão Sistemática dos Protocolos para Tratamento Medicamentoso da OI
Drª Maria Angélica de Faria Domingues de Lima

10:15 – Coffee-Break

10:45 – A Reabilitação na OI
Fisioterapeuta Carmem Lia Martins Moreira

11:30 - A Ortopedia na OI
Dr. Pedro Henrique Mendes

12:00 – Almoço

13:30 – Representantes dos Núcleos da ABOI

ABOI-BA: Daniel Pacheco de Almeida
ABOI-RJ: José Carlos Geraldo dos Santos
ABOI-SP: Simone Urbano da Costa
ABOI-DF: Cláudio José de Oliveira
ABOI-CE: Célia Regina Vieira Bastos

15:30 -  Coffee-Break

16:00 – Encerramento
Apresentação do Coral do IBGE.

Ata do Encontro

I Encontro Nacional da Associação Brasileira de Osteogenese Imperfecta – ABOI - 04 e 05 de Dezembro de 2009

RJ 04 de Dezembro de 2009

I Encontro Nacional dos Centros de Referência em Osteogênese Imperfecta – CROIs – Contou com a  participação de médicos responsáveis pelos CROI’s – SP, BA, RS, SC, PR, RJ, CE, ES. Cada responsável relatou como é o funcionamento, as dificuldades encontradas, forma de tratamento, nº atual em tratamento e exames. Assinaram o livro de presença 28 participantes entre eles os representantes da ABOI – RJ, CE, SP e DF. Também esteve presente a Sra Sandra Lobo e Sra Lani ambas do SUS DC RJ/ CAPDAI

§ Dr. Juan – CROI - RJ:

- Apresentou alguns médicos que fazem parte de sua equipe, falou que segue a portaria na integra, que só modificou para as crianças de 0-2 anos que a internação é feita de 2 em dois meses. Falou que tem um grupo grande de bebês, lembrou que ali é uma maternidade com UTI neonatal.   Internam toda segunda-feira e toda 1quinta-feira  dois portadores , por semana são 4 portadores e que toda sexta-feira tem um ambulatório específico da OI. Hoje tem 165 portadores com uso do pamidronato. Falou da necessidade  de fazer parcerias para atender todo o programa ( Medis Labs – Densitometria, INTO – ortopedia e com o IEDE – tratamento para adultos).

§ CROI-RS: Drª Têmis Maria Félix

- No início, não era organizada, não fazia internações. Como a portaria, só pagaria internados, passou internar os pacientes.
- Equipe multiprofissional  (Genética, Ela coord.), Pediatria, nutrição, odontologia, endocrinologia, fisioterapia (iniciando no ano) otorrinolaringologia e ortopedia.
- Ortopedia ficou 1 ano e meio sem ortopedistas.
- Tem um banco de dados que informa: perinatal e rx do corpo inteiro
- São 91 paciente com idade de 3 a 50 anos. Usam a portaria, os pacientes tem alta casada com a entrada de outro paciente no leito.
- Declarou que muitos pacientes faltam às internações, o que dificulta manter o leito. Interna durante 4 dias, colhe urina de 24 horas sempre que interna.
- Tem 44 pacientes desde 2001 e 22 atualmente.
- Exames antes e pós ciclo, avaliação a cada 4 meses no ambulatório de genética. As crianças ficam na recreação, escola e a noite recebe o pamidronato.
- Durante a internação cálcio. Internam sempre com a mesma equipe na pediatria e a enfermeira acompanha.
- Lembra que não tem brecha na portaria para hospital dia.
- Perspectiva para 2010 (Avaliação audiometria e fisioterapêutica).
- Dificuldades (leito, alendronato nos postos de saúde e acompanhamento ortopédico).
- Osteonecrose da mandibula – Não observou em nenhum caso.

§ CROI-BA: Drª Renata

- Setembro de 2005 – primeiro caso (portadores que já iniciaram o tratamento no RJ)
- Março 2006 a março 2007 – 1 ano sem solução
- 20 de março 2007 – criação do CROI – BA
- 39 pacientes
- 6 pacientes com formas leves
- 6 uso de alendronato
- 1 nova (primeira infusão)
- Na BA os casos são muito graves
- Internação 5ª, 6ª e sábado
- 2º semestre de 2009 teve muita dificuldade por falta de leito.
- Densitometria depende do prefeito.

§ Dr. Eduardo – RJ Diretor do IFF

- Deu boas vindas aos representantes dos CROIs e se colocou com muita satisfação com entusiasmo com o Encontro Nacionala.

§ Dr. Hamilton – CROI - SP

- Primeira vez interna, depois uso o sistema hospital dia
- Só inicia o tratamento depois de um mês
- No primeiro dia todos os exames e depois só no final.
- Tratamento com pamidronato dura 4 anos e em alguns pacientes só meia dose.
- Acompanhamento com endocrinologia.
- Trabalham com dentista – mandibula – necrose – RX
- Comentou do trabalho da Dra Silva “Grupo de dor” ressaltou a importância de tratar a dor.
- tratam 47 pacientes de tipo III e IV – idade média é de 9 anos, e que a idade média que iniciam o tratamento é de 4,90
- Os menores têm mais anemias, tem que dar sempre suplementação de cálcio, vitamina D.
- Falou que o cálcio é dado durante as refeições.

A Dra Darfen (IFF) comentou que tem uma recomendação que não deve ser dado o cálcio junto nas refeições a Célia (ABOI-CE)tem uma recomendação de ingerir o cálcio só a noite.

§  Dr. Genoir – CROI - SC

- Coordenador do CROI – SC, da residência médica da endocrinologia pediatra
- 1 de maio de 2005, Endocrinologia, pediatria ortopedista, otorrino e fonoaudiologo em conjunto no CROI.
- tem 58 pacientes – 11 sem tratamento – 4 com alendronato (sem fratura e já na puberdade)
- Tem 2 leitos para OI – interna segunda-feira e quarta-feira.
- Aplicação só internado.
- Os exames só nos ciclos do pamidronato
- Suspendem o tratamento com o pamidronato 6 meses antes para que o paciente possa fazer cirurgia.

Pós apresentação do CROI SC surgiram vários comentários.

A maioria dos CROIs ali presentes responderam que só param a infusão, 6 meses depois da cirurgia.
Foi consenso a realização dos exames de sangue antes do primeiro dia e depois do último dia de infusão, avaliaram como desnecessário furar  tanto as crianças.

§ Dra. Julienne – CROI - PR

- 390 leitos no hospital
- Em junho de 2001 internou 3 paciente e deu início ao tratamento.
- Sus só repassa CR$ 564,96
- Custo é 2 a 6 vezes esse valor
- tem 66 pacientes
- Faz internações, mas a grande maioria é hospital dia.
- Exames só cálcio
- Não faço marcadores urinário ( as referencia são muito discutíveis)
- não faz densitometria óssea
- Passa cálcio e vitamina D para todos
- Faz redução da dose apos 5 anos de tratamento.
- Suspensão do tratamento após termino do crescimento.

§ Dra. Jacinta – CROI - CE

- Começou o tratamento na ortopedia e tem muitos residentes que são responsáveis pelo tratamento.
- Tem 35 pacientes e todos são acompanhados na ortopedia.

§ Dr. Akel – CROI - ES

- Hoje tem 45 pacientes com medicamento
- Densitometria é feita a cada 6 meses. Parceria com o Dr. Sergio Ragi que cobra um valor simbólico.
- Falou de suas dúvidas
Perguntou se é necessário ao nascimento?
Medicamento se deve iniciar antes de 2 anos?
- dificuldade com os adolescentes não querem mais o tratamento.
- Pediu para que faça mais encontros.

§ Sra. Sandra Lobo (SUS- RJ)

- A Sra. Sandra , coordenadora da coordenação de programas de atendimentos específicos, sugeriu que se criassem uma nova portaria criando um conjunto de ações específicas para o tratamento da OI. Na avaliação dela, a atual portaria não garante condições para o tratamento da OI como um todo( fisioterapia, próteses( hastes ), ela é restrita para o tratamento com pamidronato. Essa questão ficou para ser discutida com o grupo.
- Ao ser perguntada, se demora para criar uma nova portaria, ela disse que não. Comentou que se tivermos mobilizados não deverá haver problemas, sobretudo por que entre os CROIs , existem hospitais universitários e do MS.
- Como proposta de alteração da Ficha cadastral da atual portaria, o IFF; apresentou a primeira versão do banco de dados, destinado ao acompanhamento histórico dos pacientes tratado nos CROIs.
- Rodrigo (analista de sistema do IFF) mostrou a primeira versão do banco de dados

- Conexão web – quem tem a senha pode utilizar
- Servidor FIOCRUZ
- é um banco com todo o histórico do paciente.
- Todos os coordenadores de CROI, vão visualizar em todos os níveis e os operadores só o seu CROI.
- Todos mostraram muito interesse ao banco.
- Os representantes dos CROIs comprometeram-se de fazer o teste e colaborar com sugestões para melhoria do banco.

Por último leram a portaria e deram algumas sugestões de alteração, como não estavam todos os CROIs representados; foi consenso que ali era uma abertura para continuarem o processo por e-mail na tentativa de contemplar a todos.

Por fim o Claudio (CROI DF e MG) pediu ajuda dos presentes para que fosse feita uma pressão ao diretor do BH para que ele assine o documento, o Claudio, já tinha providenciado toda a papelada é agora esta parada na mesa do diretor por mais de um ano por falta dessa assinatura.

RJ 05 de Dezembro de 2009

No segundo dia, I Encontro Nacional da Associação Brasileira de Osteogenese Imperfecta – ABOI , realizado na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro, teve a finalidade de divulgar aos portadores de OI, familiares, voluntários e médicos, o que fora debatido no dia anterior no IFF, quanto aos estudos e encaminhamentos das várias especialidades médicas – Ortopedia, Fisioterapia, Pediatria, Endocrinologia, Genética, em relação a OI, protocolos de tratamento, inclusive em outros países, procedimentos adotados nos diversos CROIs do Brasil, e da revisão da Portaria 2035 de dezembro de 2001, nesses 10 anos de fundação da ABOI. Em decorrência dessas informações abriu-se espaço para que os presentes formulassem seus questionamentos ao final.

Participaram desse segundo dia médicos ortopedistas, fisioterapeutas, endocrinologistas, pediatras, assistentes social, outros profissionais, representantes da ABOI, pessoas com OI e familiares. Assinaram o livro de presença 95 participantes. A mesa foi composta por:

Maria de Fátima – Presidente da ABOI, RJ;
José Carlos – Presidente do Conselho Deliberativo da ABOI, RJ;
Dr. Juan – Instituto Fernandes Figueira, RJ;
Claudio de Oliveira – Membro do Conselho Deliberativo da ABOI; e representante de núcleo, DF e MG;
Célia – Vice-presidente ABOI e representante de núcleo, CE;
Simone – Diretora de Divulgação ABOI, SP.

§ Maria de Fátima (RJ):

- Fala que a ABOI é de todos nós, agradece a todos pelos 10 anos e que ninguém faz nada sozinho.

§ Dr. Juan, relembra o I Encontro no IFF:

- Culturalmente, não temos o hábito de organização da sociedade civil. A ABOI é umas das pioneira, nesse sentido. Cita países cujo processo de organização civil norteia muitas decisões (acadêmicas e de políticas públicas de saúde). Na época, já era um grande desafio este tipo de organização pois o país tem como tradição as diretrizes serem de cima para baixo quando o certo deveria ser de baixo para cima. Nesses 10 anos de ABOI, devemos comemorar muitos avanços. Há 10 anos atrás, a condição do paciente (criança) era muito mais grave. Parabeniza a ABOI pela conquista e que continue parceira dos médicos.

§ Cláudio de Oliveira (DF):

- Mora em Paracatu, divisa com Goiânia. Diz que há 6 anos estão em luta e lembra que a ABOI tem grandes conquistas. São 73 portadores cadastrados no CROI/DF. Atualmente vem lutando para a criação de um CROI em Belo Horizonte/MG

§ Célia (CE):

- Sua contribuição foi na formação da ABOI. Fala sobre os médicos e multiplicadores envolvidos no processo e sua importância para a melhoria da qualidade de vida dos portadores, e como foi e tem sido a vida até agora com 56 anos de idade. Considera uma benção de Deus poder estar caminhando...

§ Simone (SP):

- Emociona-se ao falar sobre os 10 anos, porquê está na ABOI e nesta causa. Fala sobre a sua patologia e de como tomou conhecimento através de pesquisas em biblioteca e mais tarde através da Internet. Fala sobre o seu “encontro” com pessoas portadoras, das dificuldades da Síndrome, do “choque” da descoberta e de como administra-lo. Começou a participar das reuniões. A doença é discriminada e desconhecida. Relembra que sempre se viu como única (no bairro, na escola...). Fala sobre o trabalho pedagógico para o conhecimento da doença.

§ José Carlos (RJ):

- Relata a história da ABOI e como começou. Fala sobre o depoimento de Célia e seu parecer sobre 56 anos atrás, sobre o seu próprio parecer de 25 anos atrás. Fala sobre o desconhecimento das pessoas no passado (médicos, enfermeiros) sobre esta doença “rara” e o que seria dos pais e responsáveis se não se unissem na busca pelo conhecimento. Agradece a Célia (CE), Rita Amaral, Carlos Galvão, Rui (já falecido), Moacir e médicos e todos trabalharam para fundação da ABOI.

A história mudou nestes 10 anos. Do desconhecimento total em lidar com a crianças portadoras, sobre qualquer aspecto, até por exemplo, sobre as fraturas. Hoje os médicos já nos encaram como parceiros e isso é muito importante. Agradece a presença dos médicos CROI-ES: Dr. Akel Nicolau Akel Jr., CROI-RS: Drª Têmis Maria Félix, CROI-BA: Drª Renata Maria Rabello da Silva Lago, CROI-SP: Dr. Hamilton Cabral Menezes Filho , CROI-SC: Dr. Genoir Simoni, CROI-PR: Drª Julienne Ângela Ramires de Carvalho e CROI-CE: Drª Jacinta Maria da silva Prado.

- A evolução do paciente e do tratamento depende da relação de parceria entre médico e paciente. É preciso, também conscientizar os pais e os médicos da necessidade de preparar as crianças com OI para chegar a fase adulta independente. Esse processo se inicia desde da  infância e deve ser bastante estimulado, sobretudo na adolescência quando são mais capazes de entender melhor a doença. Os pais precisam perder o medo, fortalecendo-se através do conhecimento sobre a doença. Dessa maneira poderão contribuir muito para independência de seus filhos.

Dr. Akel (ES) pede a palavra, pois precisava se retirar:
- Agradece a ABOI pelo contato. Fala que desde 2001 sentia-se isolado no ES, dentro dos CROIs e rapidamente relata a importância da troca de experiências.

Dra. Jacinta (CE) pede a palavra:
- Fala que eram sozinhos e depois dessa Portaria e dos medicamentos, o Hospital Albert Sabin (CE) é referencia.

Apresentação da Dra. Maria Angélica (IFF):
- Fala sobre o término de seu mestrado;
- Fala sobre a Portaria de dezembro de 2001;
- Fala sobre a revisão sistemática dos tratamentos e dos medicamentos, pós Alendronato. Faz uma apresentação didática sobre as manifestações clínicas da OI, o diagnóstico e a alteração no colágeno. Apresenta comparações entre o osso normal e o osso com OI. Relaciona mecanismos para a redução dos riscos de fratura;
- Fala que o tratamento não é só clínico. Tem a reabilitação;
- Apresenta quais são as indicações de tratamento formal com BP (Biphosphonato), seus benefícios e que cada caso é avaliado individualmente;
- Fala dos efeitos da terapia com Alendronato em crianças com OI: respostas boas e não muito boas, dificuldade na administração;
- Fala do protocolo no Brasil para o Pamidronato - doses, uso de Cálcio, vitamina D e coleta de exames pré e pós infusão;
- Fala sobre os parâmetros de avaliação de resposta ao tratamento clínico e, sobre a avaliação periódica (Densitometria, radiografia e exames laboratoriais);
- O Alendronato não é utilizado no Canadá , nem em pacientes adultos.
- Ao término da apresentação da Dra. Maria Angélica (IFF), foram feitas perguntas sobre uso de outras drogas.

A Drª Julienne comenta que há controvérsias sobre o Zolendronato que encontra-se em fase de estudo clínico no mundo todo.

Dr. Hamilton fala que o uso do Zolendronato não está sendo estimulado na faixa etária pediátrica.

José Carlos fala sobre a revisão da Portaria e a necessidade do envolvimento de todos os CROIs na evolução do tratamento e nas discussões sobre o uso de outras drogas. Inclusive as experiências com do Residronato e zolendronato.

Dr. Juan fala sobre protocolos diferentes de medicação. É preciso ter senso crítico pois nada é garantido. Antes devem ser feito testes de medicação (eficiência, toxidade do Pamidronato). Para estudar a eficiência dos novos medicamentos é preciso comparar quem usa e quem não usa.

Dr. Juan faz um alerta sobre os riscos da novidade sem segurança;
- Fala sobre a quantidade de medicamentos que estão em fase de estudo na indústria    farmacêutica e, sobre os ensaios clínicos, finalidade específica da pesquisa.
- Hoje são 568 pacientes com OI em tratamento nestes 7 CROIs e no banco de dados e passíveis de testagem.

Nesse momento, Andréia pede a palavra para falar sobre o recente falecimento de sua filha de 39 dias. Fala sobre o seu pré-natal, sobre os exames preventivos que fez e que constataram a doença. Pergunta ao Dr. Juan por quê deram morfina e não o Pamidronato à sua filha; pergunta também o que fazer quanto aos prognósticos da doença mediante uma segunda gravidez;

 Dr. Juan fala sobre o pré-natal e que pela ultra-sonografia, o bebê foi diagnosticado com displasia óssea. Fala que infelizmente a natureza permite que conheçamos uma doença e a seleção natural é muito agressiva. Para se começar o Pamidronato tem que ter um mínimo de condições de saúde. Como mensurar a dor de um bebê, por exemplo (de 1 a 5) para quem precisa controlar uma dor de grande intensidade?
- O efeito do Pamidronato não é imediato. As circunstancias da doença são estas.
 Quanto a recorrência da doença, os riscos podem ser baixos, mas um geneticista e obstetra devem ser consultados.

Dr. Juan prossegue a respeito das indicações do Alendronato. Diz que é seguro para o tratamento de Osteoporose e pode ter efeitos colaterais. Se o Canadá não usa, muitos outros países usam.

Dra. Carmem Lia (fisioterapeuta) faz a apresentação sobre seu trabalho no IFF, da importância da fisioterapia no contexto da OI;
- Fala sobre os fundamentos da fisioterapia e do protocolo de tratamento iniciado em janeiro de 2004;
- Faz considerações sobre os conceitos de abordagem e acompanhamento (conceito de Bobath);
- Fala sobre o papel  da família na fisioterapia e que sua interação é fundamental, pois entende que o tratamento é repetitivo e cansativo na busca da autonomia da criança e na avaliação das suas competências;
- As avaliações são regulares, o acompanhamento ambulatorial é semanal e, em geral, as preocupações estão relacionadas ao desenvolvimento físico, a mobilidade e postura
- onde são observados: o medo dos pais e filhos às fraturas; as dificuldades em relação ao desenvolvimento motor; desenvolvimento precário da percepção do corpo; o medo de movimentar-se; tendências a fixações posturais; diminuição das experiências; diminuição das experiências sensitivomotoras; reação de defesa aos contatos;
- Lembra que o IFF atende crianças até 5 anos de idade;
- Os objetivos funcionais especiais estão relacionados as atividades da vida diária, através da exploração do aprendizado prazeroso.
- A fisioterapia percebeu a importância do manuseio e o contato físico é fundamental. A criança não é intocável. O estímulo é extremamente importante;
- Aconselha a continuidade do tratamento em casa;
- Cita princípios para o desenvolvimento motor com sentido de criar hábitos de postura condicionantes para melhorar a qualidade de vida e independência da criança;
- Fatores decisivos para o tratamento: Cada um é um.
- Orientações direcionadas: A importância da orientação aos pais nos primeiros anos de vida (leito, colo, carrinho); tônus muscular (hipotrofia); hipermobilidade; percepção sensoriomotora;
- Quanto a adolescência: promover a orientação, continuidade e motivação das atividades fisioterapêuticas e garantir a mobilidade independente;
- Observação ou sugestões de ordem prática: os estímulos variados; necessidade de repetição; motivação;
- Alguns cuidados quanto aos estímulos: respeitar a preferência do estímulo; dar sentido as atividades; evitar o excesso de estímulos;

A Dra. Carmem Lia encerra sua participação com exibição de fotos de pacientes durante o tratamento fisioterápico e José Carlos abre espaço para perguntas:
Simone (SP): muito se fala sobre o tratamento em crianças, mas como fica o tratamento em adultos face ao desconhecimento de clínicas de fisioterapia em outros estados, por exemplo?
- A recomendação de atendimento/tratamento em adultos: sempre o meio líquido é menos traumático; o fortalecimento é global com condicionamento respiratório; a hidroginástica é uma boa opção;
- Há sugestão para a montagem de um vídeo pedagógico para os estados tomarem conhecimento do trabalho (fisioterapia) que é feito no IFF;

§ Apresentação do Dr. Pedro do INTO

- Dr. Pedro Henrique (INTO) fala sobre a ortopedia na OI, sobre alterações osteo-articulares e a diminuição com o uso do Pamidronato ;

- Fala sobre os diagnósticos diferenciados que levam a alterações ósseas tais como lesões acidentais, osteoporose, leucemia e etc.
- Fala sobre as classificações dos tipos de OI, a partir de pesquisadores e geneticistas tais como Looser (1906), Seedorf (?), Silence (?) e Shapiro (1985);
- Fala que o tratamento ortopédico na OI, se divide em:
- Preventivo – prevenir fraturas e deformidades; aumentar a resistência; reabilitação com reforço muscular; evitar imobilização prolongada; órteses de materiais termoplásticos; incentivo a ficar de pé
- Reconstrutivo – tratamento das deformidade já instaladas;
- Fraturas (tratamento diferenciado);
- Exibição de fotos sobre fraturas onde as hastes telescopadas são utilizadas, seus inconvenientes e complicações. Estas hastes (que crescem com o paciente) são caras; exibe fotos de fraturas onde erros de utilização (outros tipos de hastes) foram cometidos em pacientes (EUA);
- fala sobre o gesso “Soft Cast” ideal para qualquer tipo de fratura, por que permite o     movimento.
- Fala sobre o novo INTO e do Centro de Ortopedia da Criança e do Adolescente;
- Terá cerca de 250 leitos (o centro?)
- A equipe formada por 5 ortopedistas (para o centro?)
- Não há previsão para tratamento de adultos;
- Só trabalha com fila de pacientes;
- Não terá emergência;
- Vai ter emergência referenciada;
- Médicos plantonistas (fraturas graves de bacia e coluna);

 Dra. Temis CROI do RS – Fala sobre a revisão da portaria e sobre a troca de experiências de como tem sido o tratamento nos diversos locais;
- fala sobre a melhora da qualidade de vida dos pacientes de OI;

Dra. Julienne CROI do PR de crianças e adolescentes – Neste CROI 60 crianças e adolescentes são tratados com Pamidronato. Foi um dos primeiros centros a funcionar; Deseja que haja mais troca de informações e maior integração;

 Dra. Renata (BA) fala sobre o CROI mais jovem (2007) e do surgimento da ABOI na Bahia. Agradeceu a interação;

 Dr. Hamilton CROI SP - fala sobre o Instituto da Criança, sobre a disponibilização dos dados para se ter contato com a realidade brasileira; fala sobre o estímulo ao conhecimento da doença através do contato com familiares de pacientes;

José Carlos RJ – fala que ainda não foi possível  ter o apoio do Ministério da Saúde, porém a Profarma sensível aos apelos dos organizadores possibilitou este Encontro com a doação de uma verba específica;
- Pede aos representantes dos CROIs que incentivem o estreitamento dos laços entre os pacientes, familiares e médicos.

A parte da tarde deste segundo dia, foi dedicada aos depoimentos dos membros da ABOI:

 Célia (CE) – Falou sobre a sua infância, previsões e possibilidades. Fala que melhorou a qualidade de vida dos portadores de OI. Lembra dos cuidados especiais são parecidos com os do não portadores para manter a saúde e a longevidade. O surgimento de dificuldades no portador infantil deve ser acompanhado pelo médico, como por exemplo, problemas na audição levar ao Otorrino.
- Ao final exibe fotos das crianças portadoras de OI, no CROI onde é voluntária, e a rotina de tratamento. José Carlos abre para espaço para perguntas:

- Quando um pai lhe pergunta sobre a preocupação de sua filha em ingressar no mercado de trabalho, Célia responde que existem desvantagens iguais para todo mundo, mas na realidade o portador tem que ser o melhor no que faz;

- Como é a lida dos pais na criação dos filhos portadores? - Um apóia o outro, mas as dificuldades dos pais é a mesma.

 Simone (SP) fala do trabalho voluntário nos CROIs. Fala que o portador de OI tem altos e baixos, dificuldades que a própria síndrome impõe. Em geral o portador não tem vida social. Há dificuldade de transporte para o portador de OI.
- Dessa forma, teve a idéia de promover festas com o voluntariado (2007 e 2008).
- Fala que começou a trabalhar através da lei de Cotas.
- Exibe fotos das festas e fala sobre o sucesso das mesmas e, da que ainda pretende realizar este ano.

O Encerramento foi feito um agradecimento a PROFARMA que custeou as passagens, o IFF a sua equipe que sempre estiveram presentes de alguma forma na vida dos portadores, ao Cônego Haroldo da Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, a todos que estavam ali presentes. Por último, agradeceu-se aos membros do Coral do IBGE que em seguida fizeram uma bela apresentação para todos. Cantamos o parabéns para ABOI e encerramos com muita alegria com um delicioso bolo.

Fátima Santos
Presidente da ABOI - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE OSTEOGENESIS IMPERFECTA

 

Veja o vídeo do Encontro:

http://www.slide.com/credits?pxcid=O1ALQ2ejuC2wPY7Jh2RaXLyJbsq10etxc4oYm2GgajCIEIqzw68BWtAj7W_
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